15.10.2018

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Balanço do neoliberalismo

O neoliberalismo nasceu logo depois da II Guerra Mundial, como uma reação teórica e política veemente contra o Estado intervencionista e de bem-estar social. Um grupo de economistas intelectuais fundaram, em 1947, a Sociedade de Mont Pèlerin, um clube social altamente dedicado e organizado para promover o neoliberalismo, com reuniões a cada dois anos. Seu principal mentor foi Friedrich Hayek.

 

Hayek tinha como propósito combater o keynesianismo* e o solidarismo reinantes e preparar as bases de um outro tipo de capitalismo, duro e livre de regras para o futuro. Hayek e seus companheiros desejavam uma sociedade desregulada: argumentavam que o novo igualitarismo relativo da década de 50 e 60, promovido pelo estado de bem-estar social, destruía a liberdade dos cidadãos e a vitalidade da concorrência, da qual dependia a prosperidade de todos.

 

Em poucas palavras, a exploração, o domínio do mais forte sobre o mais fraco, assim como na natureza selvagem, seria elemento essencial da sociedade humana. O individualismo atinge seu ápice. Palavras como solidariedade não passam de campanha de marketing, atraindo recursos em interesse de alguns.

 

 

Sistema ganha força com a crise e enfraquece o sindicalismo

 

A chegada da grande crise do modelo econômico do pós-guerra, em 1973, quando todo o mundo capitalista avançado caiu numa longa e profunda recessão, combinando, pela primeira vez, baixas taxas de crescimento com altas taxas de inflação, mudou tudo. Foi o momento oportuno para a Sociedade de Mont Pèlerin atacar, plantando a idéia nas mentes dos políticos, empresariado e gestores de estado.

 

As raízes da crise, afirmavam Hayek e seus companheiros, estavam localizadas no poder excessivo e nefasto dos sindicatos e, de maneira mais geral, do movimento operário, que havia "corroído as bases de acumulação capitalista com suas pressões reivindicativas sobre os salários e parasitárias para que o Estado aumentasse cada vez mais os gastos sociais".

 

As reformas fiscais também são peça chave do sistema: são imprescindíveis para incentivar os agentes econômicos. Em outras palavras, isso significa reduções de impostos sobre os rendimentos mais altos e sobre as rendas. Assim, uma nova e "saudável" desigualdade dinamiza constantemente as economias avançadas. Como parte do jogo, o crescimento retorna quando a estabilidade monetária e os incentivos essenciais são restituídos. Crise e recuperação são previsíveis.

 

 

Desemprego crônico na alma do sistema

 

O país pioneiro em aderir às idéias de Hayek foi a Inglaterra, no governo de Margareth Tatcher (1979). Desde então, a idéia de uma única alternativa para se gerir a economia ganhou força progressivamente: cada vez mais os governos foram se convencendo de que o remédio seria manter um estado forte em sua capacidade de romper o poder dos sindicatos e no controle do dinheiro, mas parco em todos os gastos sociais e nas intervenções econômicas. Daí o incentivo às privatizações e o combate à Previdência Social.

 

A estabilidade monetária deveria ser a meta suprema de qualquer governo. Para isso seria necessária uma disciplina orçamentária, com a contenção dos gastos com bem-estar, e a restauração da taxa "natural" de desemprego, ou seja, a criação de um exército de reserva de trabalho para quebrar os sindicatos. Idéia sinistra, perversa, mas aplicada impiedosamente pelos governos do mundo inteiro.

 

 

Paralelo com o Governo Lula

 

O momento atual estampa a hegemonia alcançada pelo neoliberalismo como ideologia. No início, somente governos explicitamente de direita radical se atreveram a pôr em prática políticas neoliberais; depois, qualquer governo, inclusive os que se autoproclamavam e se acreditavam de esquerda podiam rivalizar com eles em zelo neoliberal. Hoje, o Governo Lula nada tem daquele projeto original do PT, de esquerda e voltado para os trabalhadores, com cunho socialista-sindical.

 

A razão principal dessa transformação foi, sem dúvida, o enfraquecimento do movimento sindical, expressado na queda drástica do número de greves durante os anos 80 e numa notável contenção dos salários. O desemprego como política-econômica, concebido como um mecanismo natural e necessário de qualquer economia de mercado eficiente, fez a diferença na balança.

 

 

Especulação financeira

 

Finalmente, o grau de desigualdade - objetivo sumamente importante do neoliberalismo - aumentou significativamente no conjunto dos países: a tributação dos salários mais altos caiu, e os valores das bolsas aumentaram quatro vezes mais rapidamente que dos salários. A especulação econômica dita as regras hoje. Esta nada mais é que exploração financeira com alocação de recursos "fictícios", um capital parasitário que não chega a ser aplicado em empreendimentos, vertendo-se em emprego e renda para as populações.

 

Cabe perguntar por que a recuperação dos lucros não levou a uma recuperação dos investimentos, estimulando o crescimento real da economia. Essencialmente, pode-se dizer, porque a desregulamentação financeira, que foi um elemento tão importante do programa neoliberal, criou condições muito mais propícias para a inversão especulativa do que produtiva.

 

Artigo da Assessoria de Comunicação da FESEMPRE

 


 


 

* keynesianismo: teoria econômica fundamentada na afirmação do Estado como agente indispensável de controle da economia, com objetivo de conduzir a um sistema de pleno emprego. Tais teorias tiveram uma enorme influência na renovação das teorias clássicas e na reformulação da política de livre mercado.

 

Fontes:

- ANDERSON, Perry. Balanço do neoliberalismo. In: SADER, Emir & GENTILI, Pablo (orgs.) Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995, pp. 09-23.

- FRIEDMAN, Milton. FRIEDMAN, Rose. Liberdade de Escolher: o novo Liberalismo Econômico. Trad.: Ruy  Jungmann. Rio de Janeiro: Record, 1980, p 152.

- HAYEK, F. A. O caminho da servidão. Ed. Rio de Janeiro: Instituto Liberal, 1987.

- MALAGUTI, Manoel L. Smith e Hayek. Irmandados na defesa das regras do jogo. In: MALAGUTI, Manoel L., CARCANHOLO, Reinaldo e CARCANHOLO, Marcelo D. (orgs). Neoliberalismo: a tragédia do nosso tempo. São Paulo: Cortez, 1998.

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